Queremos ler Marx: apresentação do núcleo de estudos

Por Carlos Henrique Ferreira de Souza*

O Núcleo de Estudos Imersivos Marx (NEIMARX) é uma iniciativa minha em conjunto com outros amigos e amigas. A sigla NEIMARX foi escolhida antes do nome mesmo. A ideia do Núcleo é ser algo divertido, flexível, onde pessoas possam discutir e ler Marx sem as amarras das obrigações acadêmicas. Portanto, a sigla com cara de meme representa essa fuga, esse drible nas leituras obrigatórias que comumente estamos submetidos. Mas, em contrapartida, não significa que não levemos as leituras e discussões a sério. O que modifica é a horizontalidade representada por pessoas que se colocam na mesma posição de poder. Isso proporciona uma liberdade muito rica de se poder expressar as mais diversas formas de ser ler e interpretar um texto de Marx. Assim, admitimos no grupo pessoas que se interessam em ler Marx. Essa é a única condição. Não nos importa se alguém já está em alguma faculdade ou não.

O objetivo final do grupo não é esgotar a obra marxiana. É ler o livro 1 d’O Capital. Evidentemente, não é um desafio nada fácil, visto que não temos nenhum tutor especializado em Marx no grupo. O que nos guia são especialmente os “Textos Introdutórios” que se encontram na 2º edição de “O Capital: crítica da economia política: livro 1: o processo do capital”, da Boitempo. São três textos: “Apresentação” de Jacob Gorender; “Advertência ao leitores do Livro 1 d’O Capital de Althusser; e, por último, “Considerações sobre o método” de Giannotti. Outro texto que nos norteia, que é na verdade um livro, é de autoria de Florestan Fernandes chamado “Marx, Engels, Lenin: a história em processo”, da Expressão Popular.

A leitura prévia desses textos introdutórios me permitiu pensar em um programa de leituras que nos possibilitasse ler O Capital da melhor maneira possível dentro das nossas limitações. Os textos nos indicaram que uma alternativa possível de programa poderia ser: “Manuscritos filosófico-econômicos”; “A Sagrada Família”; “A miséria da filosofia”; “A ideologia alemã”; “Contribuição à crítica da economia política”; “O Capital”. Entretanto, considerando as limitações de disponibilidade de tempo que temos essa sequência de textos seria inviável. Dessa maneira, os dois últimos textos antes d’O Capital foram retirados do programa – apenas uma parte da “Contribuição…” continua -, permanecendo todo o restante. Mas o programa é completamente flexível e ainda está em constante discussão.

Os encontros do Núcleo têm acontecido normalmente de 15 em 15 dias na EACH-USP, mas já ocorreram em diversos locais para acomodarmos pessoas que não estudavam na EACH. Também há certa flexibilidade quanto à isso; ou seja, temos tentado ao máximo escolher local e horário que seja possível para a maioria das pessoas.

A cada final de leitura de um livro publicaremos aqui no blog do nosso companheiro Rafael Shouz alguns textos com nossa interpretação acerca de temas tratados na obra. Esperamos, assim, entregar ao público alguma contribuição para aqueles que têm interesse sobre a vasta obra de Marx, além de pretendermos incentivar a criação e multiplicação de outros grupos e núcleos de estudos.

A essa altura já encerramos as leituras e discussões sobre os “Manuscritos…” e escreveremos três breves artigos sobre a obra: i) Giovanna Lourenção vai discutir sobre o conceito de trabalho estranhado presente; ii) Gabriel Santana, por sua vez, discutirá como se dá o debate de Marx com os economistas clássicos acerca das relações capital/trabalho; iii) e eu encerro apresentando como o jovem Marx trata a questão do comunismo dentro dos “Manuscritos…”. Espero que seja de alguma utilidade aos leitores do blog. Até breve.

*Graduando em Gestão de Políticas Públicas ( EACH/USP)

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