Eleições 2018 – Entrevista com Tábata Amaral

Continuando a série Eleições 2018.

Dividi o post em 5 partes contendo partes das entrevistas para melhor navegação. Assim, quem quiser ler um pouco de cada vez poderá navegar mais facilmente.

A minha primeira convidada é a candidata Tábata Amaral (1200) que está concorrendo à uma vaga Deputada Federal pelo PDT.

 

Para a jovem que cresceu na Vila Missionária e viajou ao redor do mundo (China, Turquia, Polônia e outros países) representando o Brasil pelas Olimpíadas de Matemática e competições de ciências, a educação é a chave para conseguirmos criar um país com menos desigualdade e com maior oportunidade para todos.

 

 

 

Apesar da oportunidade que teve, Tábata quase desistiu das bolsas de estudo após o falecimento de seu pai.

Vila Missionaria – Passeata na campanha

(…)Ganhei bolsa em 6 faculdades americanas enquanto fazia física aqui na USP e foi aí que minha vida mudou completamente. 

            Com essa notícia que eu tinha recebido uma bolsa completa para fazer uma faculdade em Harvard e no momento de maior felicidade e incredulidade, quatro dias depois, eu perco meu pai da mesma maneira que eu perco meus amigos. Para as drogas, para o alcool e foi uma luta que travamos por muitos anos” – Tábata Amaral

 

Rafael: Pela sua trajetória, assim como a minha, nós vemos amigos indo para caminhos errados com tráfico, se envolvendo em drogas e com roubos infelizmente. Eu acredito sim que a cultura e a educação vão mudar isso. Quais são suas propostas nessas áreas?

Tábata: Fazendo uma pequena pausa antes, sobre o porque eu entrei na política, você trouxe uma coisa muito rica que é sobre a experiência de vida que a gente carrega. É claro que a gente tem que eleger pessoas que são preparadas e tem conhecimento, mas a gente esquece que a experiência do dia a dia é rica. E com meu ativismo da educação de meus anos de agora, não vai dar para eu mudar a educação, não vai dar para eu lutar para um país mais justo se a gente não mudar a política. E eu acredito que a gente vai mudar a política porque eu sei o que é na pele, sair do ensino médio público hoje, sem nenhuma perspectiva, sem nenhum sonho e nenhum projeto de vida.

Rafael: Exato,  ver o indicador (de qualidade) do ensino médio, o IDEB, desde 2011 estando em 3.7 e indo para 3.8 em 2017, é horrível. Ver que meus amigos, seus amigos, uma comunidade, uma geração inteira está alí é uma tragédia.

Tábata: Tem um dado, que saiu a pouco mais de um mês que diz que 7 de cada 10 brasileiros adultos são analfabetos funcionais e quando a gente olha para o ensino médio, que a gente sabe que é um funil que nem todos se graduam no Brasil, só 3 em cada 100 estão aprendendo o mínimo de matemática, e português não é muito diferente, a gente se pergunta, que educação que é essa que estamos recebendo? Que não te prepara para o mercado de trabalho, não dá chances iguais para ingressar em escolas públicas e privadas e não te dá um projeto de vida.

Rafael: Você falou uma coisa chave, a educação tem que ser o equalizador de oportunidades de vida. Para um país que se diz meritocrata não ter um mínimo de educação equivalente para igualar as oportunidades é uma trágedia.

Tábata: E falando de meritocracia, é um conceito que faz todo o sentido na teoria, porque na teoria as pessoas partem do mesmo ponto de partida então você pode só olhar o ponto de chegada, mas o Brasil não é assim. A depender do endereço, da cor da pele, da idade e de ser homem ou mulher a gente parte do ponto de partida diferente e a gente tá acabando com os sonhos da juventude então isso é algo que também me motiva a entrar para a política porque se a gente que conhece esse chão não for lá e lutar por um futuro diferente, quem é que vai? Quem está com filho, neto e bisneto e que está no poder a 200 anos? Sabia que lá tem uma família que está a 200 anos?

Rafael: Pode falar o nome dela?

Tábata: Eu acho que as pessoas podem pesquisar. Fica o dever de casa!

Rafael: Novamente falando sobre suas propostas, como você imagina melhorar o IDEB e os nossos indicadores de educação nos próximos anos em seu possível mandato?

Rafael: Essa qualificação continuada que o professor hoje não consegue ter, é decorrencia, muitas vezes, dele precisar ter uma jornada dupla e dar aula no fim de semana.

Tábata: Sobre a formação continuada, no Brasil ela não é levada a sério. Ela é, na grande parte dos municípios e estados, uma aula inspiradora no começo do ano. E aí eu pego o exemplo do Ceará em Sobral, que de fato fez um trabalho sério para formar os professores. Primeiro nas matérias e depois como professores mesmo. Porque a gente tem sim que mudar a formação inicial, entrar com uma formação continuada séria para que uma remuneração mais justa, carreira do professor e avaliação, façam sentido com a bagagem que ele recebeu. Essa é uma temática que vai dar um trabalhão mas acredito ser uma das mais urgentes entre a educação.

 

Rafael: Agora vou perguntar o porquê que você foi para o PDT? Qual foi sua força e inspiração que fizeram você ir para este partido?

“Então quando você olha para isso [melhoria educacional em Sobral], eu tive a oportunidade de trabalhar em Sobral, e você vê que isso aconteceu com vontade política, com boa gestão, com comprometimento com educação, e essa é minha causa, minha bandeira principal. Para mim faz muita sentido estar em um partido que de fato olha para a educação, que de fato tem um plano com o qual eu concordo.” – Tábata Amaral

 

Rafael: E sobre a cultura? Participo de saraus, batalhas de rima e outros movimentos que dão voz ao jovem. Você tem algum projeto em cultura também?

Rafael: Tábata, como última pergunta, gostaria de saber o que você achou sobre a solução que nossos políticos encontraram para a economia do país, o Teto de Gastos.  Pode comentar rapidamente?

Fiquem atentos, ainda teremos mais algumas entrevistas sobre as eleições 2018.

***Desculpem o áudio ruim do começo. O microfone apresentou problemas e por conta da agenda dela, não conseguimos marcar em local com boa acústica****

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