Segundo dia da Bienal da UNE.

A primeira mesa da Bienal da União Nacional dos Estudantes começou com vários diálogos sobre economia, meio ambiente, rentismo, divisão de terras e alguns outros temas levantados.

Participaram Sonia Guajajara, Nilson Araujo, João Paulo, Luciana Santos, Ivan Alex e Ciro Gomes.

A fala de destaque, que provocou gritos contrários, favoráveis e tensionamentos foi a de Ciro Gomes.

Ciro começou levantando a questão estratégica da esquerda sobre como poderíamos nos juntar para combater pautas retrógradas caso  lançadas. Ciro foi interrompido por um grito (de uma pessoa que não se mostrou) chamando-lhe de fascista. O discurso começou a tensionar, com outras provocações até que Ciro pediu para que parte da plenária parasse de viajar e respondeu para eles que “o Lula tá preso, babaca!”

Após isso, o debate tencionou. Apesar do Ciro falar que é amigo de Lula a mais de 30 anos, foi ministro de seu governo e não concorda com sua prisão, boa parte da plenária, não entendeu que Ciro está do mesmo lado que o seu e que o Lula não trará uma solução viável.

O momento de maior tensão, foi durante a fala dos estudantes, onde vários tentaram ‘lacrar’.

Um estudante, de cima do palco em sua fala, mencionou Ciro e ele foi pedir direito de resposta para o estudante. Este não quis passar o microfone e aconteceu um ‘cabo de guerra’ com o microfone, onde na hora, um segurança do evento tentou afastar os dois, e o estudante caiu do palco.

No mesmo momento de confusão, todos começaram a cantar ‘Machistas, racistas, não passarão!’. Por certo, a pessoa na fala tencionou com Ciro e a plateia inflada pelos gritos anteriores julgou erroneamente 100% da culpa da queda para ele. Pude ver o que aconteceu de perto pois estava na primeira fileira.

Apesar do Ciro não ter tido toda a culpa, ele de fato errou querendo o microfone na hora que o estudante estava terminando sua fala, entretanto, ele estava com o direito de resposta já que foi insultado e se sentiu ofendido.

Após isso, várias falas querendo apaziguar e botar mais álcool no fogo.

A plenária estava cheia, com mais de mil pessoas assistindo e gritando.

Rafael ‘Shouz’ de Almeida

A Quadrilha dos Bandeirantes

Demarcação das terras indígenas

O governo de Jair Bolsonaro anunciou no dia 2 de Janeiro quem ficará responsável pelas demarcações das terras indígenas e quilombolas, neste caso quem serão os responsáveis, pois foi preciso criar um conselho interministerial, o que aparentemente é bom por poder trazer a discussão e ser tomada uma melhor decisão com relação ao assunto, mas não no Brasil.

Este conselho é formado pela união dos quatro pilares do Governo de Bolsonaro. Pra quem não sabe ou não lembra aqui vai é o BBBM, Biblia, Boi, Bala, Militares. Isso realmente me assusta, a astúcia deles me surpreendeu desta vez, não acreditava que eles conseguiriam unificar de forma tão clara e fácil o interesse dos principais grupos de apoio.

Falando diretamente dos ministérios que compõem este conselho interministerial, que são eles : Agricultura, com a Ministra Tereza Cristina, empresária e líder da bancada ruralista ; Defesa, com o General reformado Fernando Azevedo e Silva; Meio Ambiente, Ricardo Salles condenado por improbidade administrativa; Direitos Humanos, a Damares Alves da bancada evangélica na qual sua ONG responde processo por tráfico de crianças indígenas ; e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), com o General Augusto Heleno, aquele que disse que os índios não precisam de tratamento diferenciado.

Dissertando sobre o posicionamento de cada um acredito que ficará claro o porque me assusta esse conselho. Vamos colocar em ordem segundo o próprio site do Governo Federal colocou em sua página, e assim o segui, para tratar de cada um dos ministérios responsáveis e seus respectivos ministros.

A Senhora Veneno

Ministra Tereza Cristina e o Ministério da Agricultura, líder da bancada ruralista, empresária, pertencente do DEM-MS, é também defensora da mudança de regras com relação ao uso de agrotóxicos através do Projeto de Lei 6.299, de 2002, do ex-Ministro da Agricultura Blairo Maggi, que segundo o MPF, Inca, Fiocruz através de relatórios técnicos se manifestaram contra a PL por apresentar riscos a saúde e ao meio ambiente. Além disso segundo mapeamento feito pelo IBGE com relação a população indígena está em número considerável na região Centro-Oeste e Norte. Vale lembrar também que durante o processo eleitoral, Tereza Cristina foi expressa apoiadora da candidatura de Jair Bolsonaro

links para as notas citadas acima e download do texto da PL 6.299

https://g1.globo.com/natureza/noticia/projeto-de-lei-quer-mudar-legislacao-dos-agrotoxicos-no-brasil-entenda.ghtml

https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-divulga-nota-tecnica-contra-projeto-que-flexibiliza-regulacao-de-agrotoxicosa-regulacao-de-agrotoxicos

O Braço de Ferro

Tratando do segundo componente, quase que instintivamente me remete a pergunta, o que ele faz ai? Bom, se procurarmos as principais atribuições de um Ministro da Defesa, neste caso o Ministro General Azevedo e Silva, conseguimos observar que não há muito o que fazer alguém com esta pasta que visa prioritariamente tratar de assuntos do âmbito militar e a segurança nacional. Porém, há de se colocar os Militares para participar, e se necessário defender os interesses do governo, então nada melhor que introduzi-los em todas as esferas governamentais possíveis, até porque 40% dos Ministros nomeados pelo atual presidente são ou foram militares.

O Caça Minério

Com relação ao Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles acredito que seja um dos pontos mais preocupantes com relação a esta quadrilha interministerial formada para o cuidado das demarcações de terras indígenas. Para o citado acima terei que fazer um destrinchamento mais longo passando por sua condenação por improbidade administrativa e seus posicionamentos frente a aceleração do licenciamento ambiental ambos ligados a favorecimento das empresas de mineração.

Na quarta feira 19 de dezembro de 2018 o Juiz da 3a Vara da Fazenda Pública de São Paulo condenou Ricardo Salles atual Ministro do Meio Ambiente por improbidade administrativa ( link abaixo ), após as denúncias feitas pelo MP. Segundo o MP Salles favoreceu empresas de mineração em São Paulo alterando mapas de areas sob proteção ambiental enquanto exercia o cargo de secretário estadual do meio ambiente.

Já com relação a aceleração do licenciamento ambiental, por mais que o mesmo diga que isso não significa “afrouxar as garantias para o meio ambiente”, como podemos acreditar nesta sustentação, principalmente quando dita por alguém que quando secretário do meio ambiente manipulou mapas para o favorecimento das mineradoras?

Em conversa com a imprensa no palácio do planalto (1) , ele fala sobre as poluições nos centros urbanos, e concordo que tenha que ser dada atenção ao assunto, mas ao mesmo tempo quando diz isso, ele tenta desviar o foco dos maiores problemas ambientais, que são aonde não há tanta publicidade e envolve a exploração mineral e madeireira.

https://jus.com.br/artigos/58976/os-sujeitos-da-improbidade-administrativa

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8429.htm

O Bicho da Laranja

Vamos falar agora da Ministra talvez mais ideológica do governo que está com algumas das pastas mais importantes e também envolvida nesta questão das demarcações. A Ministra Damares conhecida pelas suas polêmicas frases onde mistura claramente conceitos religiosos com sua função pública, mostra também não conhecer a Constituição Federal e muito menos entender o momento histórico social atual. Mas a obscuridade vinda desta Ministra não para por ai. Segundo diversos veículos de informação (colocarei as fontes abaixo) a ONG ATINI fundada pela mesma, é acusada pelo MPF de tráfico de crianças indígenas e exploração sexual com um falso apelo de humanitarismo. Vocês estão entendendo a gravidade disto? A ONG da pessoa responsável por Direitos Humanos responde processos de acusação contra povos indígenas está também incluída no conselho de demarcação de terras dos mesmos.

https://www.revistaforum.com.br/ong-de-futura-ministra-dos-direitos-humanos-e-acusada-de-trafico-de-criancas-indigenas/
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/12/ong-de-ministra-e-acusada-de-incitar-odio-a-indigenas-e-tirar-crianca-de-mae.shtml
https://www.cartacapital.com.br/sociedade/damares-alves-e-fundadora-de-ong-acusada-de-trafico-de-criancas/

General Magneto

O último porém não menos importante componente que forma o conselho interministerial, A Quadrilha Bandeirante, é o General Heleno através do GSI, Gabinete de Segurança Institucional. Este que foi cotado a vice da chapa de Jair Bolsonaro e que ocupa um cargo que cuida do setor da inteligência do governo, tem um posicionamento claro diante da população indígena de que os índios não devem ser tratados de forma diferente, ou seja, impor aos índios os hábitos da sociedade urbana. Outro ponto é, este General foi comandante na Amazônia, auxiliou Bolsonaro em acordo com os Militares durante o processo eleitoral e mais, auxiliou na construção do plano de governo do mesmo.

https://oglobo.globo.com/brasil/general-heleno-diz-que-indios-nao-precisam-de-tratamento-diferenciado-23341459

Este texto é sobre a preservação da vida, cultura e da natureza, denunciando o aparelhamento feito pelo governo para o genocídio que se anuncia. O tom da conversa mudou, um governo que fala que quer arrumar o Brasil, que é contra corrupção, que preza por bons costumes, família etc não pode montar um conselho interministerial, uma verdadeira quadrilha, envolvendo pessoas que claramente buscam interesses de seus grupos específicos, sejam eles remoção de tribos para o agronegócio, exploração mineral completamente desrespeitosa com o meio ambiente ou a matança da cultura indígena. Isto é a barbárie! Não podemos aceitar isso com a desculpa de que faz parte do progresso. Estamos indo na contra-mão dos países mais desenvolvidos. Devemos sim proteger a população indígena quilombola e suas respectivas culturas , devemos sim proteger os recursos naturais de nossas terras. Há evolução econômica e social sustentável.

Abaixo o mapa das maiores concentrações de minerais e povos indígenas . Curiosamente estão no mesmo lugar.

USP e os alunos de Escola Pública.

Estava vendo as notas de corte para o acesso de novos alunos para a Universidade de São Paulo, muitas vezes classificada como melhor universidade da América Latina, a maior e melhor do Brasil.


Quando falamos de uma prova para adentrar a uma das melhores faculdades que temos, pensamos naturalmente que a concorrência será alta. Mas porque será que os alunos de escola pública são a minoria nessa prova sendo 73,5% do total de alunos, a maioria dos estudantes brasileiros?

Fonte: Fuvest

A participação em percentil dos alunos de escola pública para a tentativa de realizar a Fuvest é, em alguns anos da série, menos que a matade em relação aos alunos de escola particular.

Acredito que os principal motivo são: Desconhecimento da universidade e seus benefícios e a descrença que podem passar. Eles não conhecem a USP, não sabem que é gratuita e ela pode te dar dinheiro por meio de bolsas para estudar. Não sabem que a faculdade é de todos, mas quem tenta entrar em sua maioria são alunos de escola particular, que sabem desde cedo a importância de uma boa faculdade (e não pagar por ela é um grande bônus). Os pais, desde cedo pagam escolas particulares para os filhos visando a entrada em alguma universidade pública.

A descrença em passar na prova é ampliada quando o candidato sabe que a qualidade de ensino de escola pública é menor do que a particular e que temos poucos exemplos. O número aprovado vindos de escola pública no vestibular é baixo e as pessoas tendem a se blindar de situações onde elas sabem que podem se decepcionar.

Fonte: Fuvest

Porquê o desinteresse, desconhecimento e talvez até falta de confiança? Sinceramente, não tenho a resposta para isso, mas tenho minha experiência de vida como aluno de escola pública na minha vida toda.

1-   Professores não comentam a existência da USP

Alguns professores, muitas vezes por não acreditarem nos alunos, nem chegam a comentar sobre a USP e seu possível ingresso nesta instituição.

2-   Falta de feiras de profissões nas escolas públicas

As feiras de profissões servem para falar um pouco sobre o futuro dos alunos e neste lugar, as faculdades, podem se expor. Em todo o meu ensino fundamental e médio,  não vi nenhuma universidade pública se mostrando para fazer propagandas de seus cursos. As universidades que frequentemente nos visitavam para fazer propagandas eram a Uninove, Unip e FMU. Acredito que tenha dado certo, vários de meus colegas passaram por essas faculdades.

3-   Desinteresse das classes A e B+ da disseminação dessa informação  

Este ponto se explica nele mesmo. Os ricos sabem que a faculdade existe e pretendem colocar seus filhos lá. Mais gente na concorrência torna o acesso  mais difícil então é interessante o mínimo de pessoas conhecerem.

Por isso também a raiva destes com cotas para escolas públicas e grupos que são minoritários, PPI.

4-   Informação não espalhada dentro da própria comunidade e da família.

O que desconhecemos não é passado adiante. Conheci a USP por acaso, fora do meu circulo social que cresci, ninguém da minha família ou amigos havia me falado sobre essa faculdade. Ninguém me falou sobre porquê ninguém sabia ou tinha poucas informações sobre.

Imagine uma família que não tem ninguém com graduação e que os chefes da casa tem até a 4ª série? Acredito que você tenha entendido meu ponto.

5-   Desacreditação social constante

A sociedade em geral desacredita na ascensão social e que as pessoas que não estudaram em boas escolas, vão conseguir adentrar a faculdade. Felizmente essa tendência está mudando com movimentos de empoderamento que fazem aumentar a auto-estima, acreditando nas pessoas e seu potencial, independente do local de partida.

Finalizo este texto com uma história pessoal de um dia após a Fuvest 2017.

Fui em um bar no centro, era noite da primeira fase da FUVEST 2017 mais precisamente.

Esse bar era perto da Paulista, o Bela Jaú. Lugar confortável, litrão e bebidas baratas. Calhou de meus amigos combinarem sem querer este dia para irmos lá.

Eu já tinha prestado a prova e sei como é que ficamos após: “prova difícil da porra!” “Acho que foi o ano mais difícil” “putz, nem vi essa matéria”.

Em toda roda que passei havia um comentário sobre a Fuvest e a USP. Pelo padrão das pessoas foi fácil de identificar: jovens de classe média e alta que prestaram a prova e estavam relaxando após.

Quem estava por lá e não sabia que existia a Fuvest, ficou sabendo.

Horas depois, voltei pra minha vila e lá, com o pessoal da mesma idade, o papo era totalmente diferente. Falava de moto, carro, rolês e outras coisas. Nós mal tocamos no assunto faculdade, quanto mais faculdade pública.

Lembrei que sempre foi assim, nós não trocamos esse tipo de ideia por desconhecimento e crescemos assim. Nossos pais não falam sobre, nossos professores também não e não vemos nenhuma propaganda. Temos acesso a outras coisas e outros tipos de conhecimento.

Por isso, sempre comemoro e incentivo quando algum amigo meu tem o desejo de entrar na USP. Sabemos que a concorrência é ampla e a trajetoria muito difícil, mas precisamos sempre espalhar a informação, incentivar e falar que é possível irmos contra a tendência do sistema.

Referências: 

http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2017-12/ensino-basico-tem-735-dos-alunos-em-escolas-publicas-diz-ibge

Fuvest.br

A justiça, o Judiciário e seu descontrole.

O que é ser justo? Alguns vão argumentar que ser justo é tomar as decisões que agradará a moral da maioria, outros chamarão isso de populismo. Um segundo grupo pode argumentar que justiça é decidir as coisas de forma democrática, mas vão contra-argumentar que a justiça precisa se manter isenta da vontade coletiva. Um terceiro grupo pode trazer a visão de que a justiça é baseada no cumprimento da Lei, mas será que apenas isso é justiça? E se a Lei estiver equivocada e ser injusta?

A Justiça, sendo um conceito abstrato de um estado ideal para a aplicação das melhores decisões possíveis, pode não se dar tão bem no Brasil.

O poder Judiciário brasileiro não apresenta bons número a respeito de como ele distribui seu recurso, tendo em vista nossa crise econômica, e na velocidade da resolução de suas ações.

Seus gastos e aumentos de salários aumentam descumprindo o teto constitucional e ignorando a crise econômica que o país passa. Sua baixa eficiência na resolução de casos dá menos sensação de justiça -no sentido da aplicação das normas vigentes- para a população, diminuindo a confiabilidade que antes era alta de acordo com o Ranking de Confiabilidade do ICQ que mede a confiança da população nas instituições.

O Poder Judiciário gastou em 2017, 91 bilhões, em comparação com 2016, gastou 4,4% a mais. Os aumentos foram constantemente acima da inflação, fato que não poderia ocorrer  como proposto pela Emenda Constitucional 95 que dispõe sobre o Teto de Gastos.

Com apenas 18 mil juízes e 90% do seu orçamento gasto com despesa de pessoal, o ente represou 91% das ações que entram por ano apresentado em relatório de 2017. Na realidade, existem 22 mil vagas abertas mas não preenchidas para juízes, o motivo para o não preenchimento é simples, o gasto com pessoal vai passar o valor orçado para o órgão.

O gasto com pessoal é uma despesa muito difícil de diminuir e teoricamente cabe ao órgão que poderia controlar o Judiciário a dispor sobre, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O CNJ foi criado pela Emenda Constitucional 45/2004 com o intuito de fiscalizar e controlar a administração e finanças do órgão em questão, mas ele age a maioria das vezes para dar aval a despesas extras dos juízes, como por exemplo um dos penduricalhos mais caros para a nação, o auxílio moradia para juízes.

Os juízes podem receber até quase 5 mil reais de auxílio moradia, mesmo possuindo salários que vão até 33 mil reais. Este auxílio em 2018 de acordo com o R7 pode custar até 900 milhões de reais para os cofres públicos. Contra uma imoralidade deste tamanho, o órgão regulador deu o aval ao gasto, como mostro neste artigo anterior. Eles argumentam que o auxílio é constitucional e obedece as normas, mas não levam em consideração que várias mães e pais de família pagam aluguel e sustentam seus filhos com apenas um salário mínimo por mês, muitas vezes sem os mínimos benefícios como Vale Refeição, Vale Alimentação e gratificação natalina (13º salário).

Vemos que o órgão controlador do Judiciário não consegue o controlar, financeiramente, processualmente e administrativamente. Seus auxílios dados para juízes que recebem muito mais do que 99% dos brasileiros (só o valor do auxílio sobrepassa o salário de um enorme contingente populacional) são dados sem levar em consideração como eles poderiam alocar de forma mais eficiente a verba, podendo melhorar processos ou contratar mais juízes.

Trago a vocês algumas ações que todo o cidadão pode realizar para fazer pressão sobre os juízes: Mandem e-mail, liguem para os tribunais e questionem sobre os auxílios, pressionem seus Deputados e Vereadores a tomarem alguma atitude ou ao menos falar sobre o tema. Apenas a pressão popular pode influir para acabar com este gasto excessivo, já que, esta máquina estatal não serve a população, mas sim, se serve da população e de nossos impostos. Este ente e seu órgão controlador sentem que a população não está atenta em seus movimentos, mas podemos mostrar que estamos sim.

Aparentemente nosso Judiciário apresenta poucas virtudes para o chamarmos de justo.

Rafael de Almeida Silva

Graduando em Gestão de Políticas Públicas pela Universidade de São Paulo.

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Referências:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm

http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/85362-despesa-do-judiciario-cresce-mas-o-custo-por-habitante-cai-em-2016

http://blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/judiciario-tem-estourado-sistematicamente-o-teto-de-gastos/

https://congressoemfoco.uol.com.br/judiciario/poder-judiciario-e-o-unico-a-descumprir-regra-do-teto-de-gastos/

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2018/08/09/aumento-do-judiciario-deve-respeitar-o-teto-de-gastos-afirma-eunicio

http://blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/judiciario-tem-estourado-sistematicamente-o-teto-de-gastos/

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/08/judiciario-e-o-unico-poder-a-nao-respeitar-limite-de-gastos.html

https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/11/07/senado-aprova-aumento-de-16-para-ministros-do-supremo-tribunal-federal.ghtml

http://www.cnj.jus.br/files/conteudo/arquivo/2018/08/44b7368ec6f888b383f6c3de40c32167.pdf

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/08/gastos-do-judiciario-crescem-44-em-2017-atingindo-r-91-bi.shtml

Antipetismo não alcança Anhanguera e Perus no 1° turno

Por Carlos Henrique. F de Souza*

O antipetismo foi a tônica do debate nas eleições 2018, sobremaneira na reta final do primeiro turno. O sentimento de desamparo causado principalmente pela grave crise econômica que assola o país e a endêmica onda de corrupção exposta agora pela operação Lava Jato – que atingiu quase todos os partidos, mas principalmente o Partido dos Trabalhadores pela grande exposição midiática – fez emergir um sentimento muito forte de negação a tudo que se refere ao PT.

Todavia, do outro lado da polarização, o candidato alternativo, com um programa completamente anti pobre – como assinalou o respeitado economista francês Thomas Piketty -, guiado por discursos vazios e palavras de efeito que são de fácil aceitação – justamente por serem vazias e não tratarem de problemas sistêmicos – contribuiu para que vários segmentos da população rejeitassem até mesmo o antipetismo e aderissem, por conseguinte, ao programa do PT. É de um desses segmentos que trato aqui nesse breve artigo.

A zona eleitoral 389 do Estado de São Paulo é composta por seções eleitorais que se localizam em 31 bairros distintos. Contudo, a maior parte se encontra nos distritos Anhanguera e Perus. Uma análise detalhada da votação no primeiro turno nesta zona eleitoral dá ensejo para que se possa inferir que o sentimento antipetista quase inexistiu em Anhanguera e Perus.

A tabela 1 evidencia que embora o candidato Bolsonaro tenha saído vitorioso, a diferença  para o candidato Haddad é muito menor quando se compara com os dados nacionais (46% para Bolsonaro e 29% para Fernando Haddad). Somados os votos dos dois progressistas – Ciro e Haddad – eles passariam tranquilamente o candidato do PSL.

Tabela 1. Votação para presidente – Zona eleitoral 389

Fonte: TSE

A tabela 2 é mais alentadora ainda para o Partido dos Trabalhadores. Na votação para todo o estado de São Paulo, João Doria saiu vencedor com 31% dos votos e Márcio França ficou em segundo com 22% dos votos válidos (os dois estão no segundo turno). Não obstante, na zona eleitoral analisada Marinho (PT) acabou saindo vencedor. O candidato do PSDB amargou a quarta colocação.

Tabela 2. Votação para Governador – Zona eleitoral 389

Fonte: TSE

Na tabela 3 a expressão do não-antipetismo é mais óbvia ainda. O candidato a senador Suplicy, acabou não se elegendo, ficando com a terceira posição. Contudo, aqui ele obteve uma enorme quantidade de votos. Quase 10 mil a mais que o candidato do PSL, Major Olímpico.

Tabela 3. Votação para Senadores – Zona Eleitoral 389

Fonte: TSE

O não-antipetismo é expresso também na votação para deputado federal. Observando a tabela 4 é possível concluir que o PT teve grande êxito na candidatura do agora reeleito deputado federal, Zarattini. Além de ter sido o segundo mais votado, quase empatado com Eduardo Bolsonaro, ele foi um dos poucos que tentaram se reeleger e obtiveram uma variação positiva quando se compara as eleições de 2014 e 2018 – dado demonstrado pela tabela 5. Vale salientar também as robustas e signficativas candidaturas de Sâmia Bomfim e Luiza Erundina – ambas pelo PSOL –  que compõem o top 10. O PSL conseguiu duas expressivas candidaturas respresentadas por Eduardo Bolsonaro e Joice Hasselmann.  

Tabela 4. 10 Deputados Federais eleitos mais bem votados – Zona Eleitoral – 389

Fonte: TSE

É interessante observar, na tabela 5, a variação dos votos dos candidatos que integram o atual top 10 com as eleições gerais de 2014. A negação a “tudo isso que está aí” é bem evidente – embora ideologicamente a diferença seja insignificante. Apenas 3 deputados obtiveram variação positiva, sendo o do PT a maior variação para cima. Celso Russomanno perdeu quase 67% dos votos; Paulinho da Força, não obstante não aparecer no atual top 10, teve um resultado complemente inexpressivo nessa zona eleitoral.

Tabela 5. Variação dos votos dos Deputados Federais – 2014-2018

Fonte: TSE

Finalmente, apesar da imensa dificuldade que o PT tem enfrentado pelas periferias de São Paulo, os residentes de Anhanguera e Perus ainda têm em seu imaginário uma preferência muito clara pelo Partido dos Trabalhadores. Isso tem sido demonstrado há pelo menos desde as eleições de 2014 – que posteriormente também serão objeto de uma análise.

*Carlos Henrique F. de Souza é graduando em Gestão de Políticas Públicas pela EACH/USP e membro-fundador do Anhanguera: Luta e Resistência!

Eleições 2018 – Entrevista com Tábata Amaral

Continuando a série Eleições 2018.

Dividi o post em 5 partes contendo partes das entrevistas para melhor navegação. Assim, quem quiser ler um pouco de cada vez poderá navegar mais facilmente.

A minha primeira convidada é a candidata Tábata Amaral (1200) que está concorrendo à uma vaga Deputada Federal pelo PDT.

 

Para a jovem que cresceu na Vila Missionária e viajou ao redor do mundo (China, Turquia, Polônia e outros países) representando o Brasil pelas Olimpíadas de Matemática e competições de ciências, a educação é a chave para conseguirmos criar um país com menos desigualdade e com maior oportunidade para todos.

 

 

 

Apesar da oportunidade que teve, Tábata quase desistiu das bolsas de estudo após o falecimento de seu pai.

Vila Missionaria – Passeata na campanha

(…)Ganhei bolsa em 6 faculdades americanas enquanto fazia física aqui na USP e foi aí que minha vida mudou completamente. 

            Com essa notícia que eu tinha recebido uma bolsa completa para fazer uma faculdade em Harvard e no momento de maior felicidade e incredulidade, quatro dias depois, eu perco meu pai da mesma maneira que eu perco meus amigos. Para as drogas, para o alcool e foi uma luta que travamos por muitos anos” – Tábata Amaral

 

Rafael: Pela sua trajetória, assim como a minha, nós vemos amigos indo para caminhos errados com tráfico, se envolvendo em drogas e com roubos infelizmente. Eu acredito sim que a cultura e a educação vão mudar isso. Quais são suas propostas nessas áreas?

Tábata: Fazendo uma pequena pausa antes, sobre o porque eu entrei na política, você trouxe uma coisa muito rica que é sobre a experiência de vida que a gente carrega. É claro que a gente tem que eleger pessoas que são preparadas e tem conhecimento, mas a gente esquece que a experiência do dia a dia é rica. E com meu ativismo da educação de meus anos de agora, não vai dar para eu mudar a educação, não vai dar para eu lutar para um país mais justo se a gente não mudar a política. E eu acredito que a gente vai mudar a política porque eu sei o que é na pele, sair do ensino médio público hoje, sem nenhuma perspectiva, sem nenhum sonho e nenhum projeto de vida.

Rafael: Exato,  ver o indicador (de qualidade) do ensino médio, o IDEB, desde 2011 estando em 3.7 e indo para 3.8 em 2017, é horrível. Ver que meus amigos, seus amigos, uma comunidade, uma geração inteira está alí é uma tragédia.

Tábata: Tem um dado, que saiu a pouco mais de um mês que diz que 7 de cada 10 brasileiros adultos são analfabetos funcionais e quando a gente olha para o ensino médio, que a gente sabe que é um funil que nem todos se graduam no Brasil, só 3 em cada 100 estão aprendendo o mínimo de matemática, e português não é muito diferente, a gente se pergunta, que educação que é essa que estamos recebendo? Que não te prepara para o mercado de trabalho, não dá chances iguais para ingressar em escolas públicas e privadas e não te dá um projeto de vida.

Rafael: Você falou uma coisa chave, a educação tem que ser o equalizador de oportunidades de vida. Para um país que se diz meritocrata não ter um mínimo de educação equivalente para igualar as oportunidades é uma trágedia.

Tábata: E falando de meritocracia, é um conceito que faz todo o sentido na teoria, porque na teoria as pessoas partem do mesmo ponto de partida então você pode só olhar o ponto de chegada, mas o Brasil não é assim. A depender do endereço, da cor da pele, da idade e de ser homem ou mulher a gente parte do ponto de partida diferente e a gente tá acabando com os sonhos da juventude então isso é algo que também me motiva a entrar para a política porque se a gente que conhece esse chão não for lá e lutar por um futuro diferente, quem é que vai? Quem está com filho, neto e bisneto e que está no poder a 200 anos? Sabia que lá tem uma família que está a 200 anos?

Rafael: Pode falar o nome dela?

Tábata: Eu acho que as pessoas podem pesquisar. Fica o dever de casa!

Rafael: Novamente falando sobre suas propostas, como você imagina melhorar o IDEB e os nossos indicadores de educação nos próximos anos em seu possível mandato?

Rafael: Essa qualificação continuada que o professor hoje não consegue ter, é decorrencia, muitas vezes, dele precisar ter uma jornada dupla e dar aula no fim de semana.

Tábata: Sobre a formação continuada, no Brasil ela não é levada a sério. Ela é, na grande parte dos municípios e estados, uma aula inspiradora no começo do ano. E aí eu pego o exemplo do Ceará em Sobral, que de fato fez um trabalho sério para formar os professores. Primeiro nas matérias e depois como professores mesmo. Porque a gente tem sim que mudar a formação inicial, entrar com uma formação continuada séria para que uma remuneração mais justa, carreira do professor e avaliação, façam sentido com a bagagem que ele recebeu. Essa é uma temática que vai dar um trabalhão mas acredito ser uma das mais urgentes entre a educação.

 

Rafael: Agora vou perguntar o porquê que você foi para o PDT? Qual foi sua força e inspiração que fizeram você ir para este partido?

“Então quando você olha para isso [melhoria educacional em Sobral], eu tive a oportunidade de trabalhar em Sobral, e você vê que isso aconteceu com vontade política, com boa gestão, com comprometimento com educação, e essa é minha causa, minha bandeira principal. Para mim faz muita sentido estar em um partido que de fato olha para a educação, que de fato tem um plano com o qual eu concordo.” – Tábata Amaral

 

Rafael: E sobre a cultura? Participo de saraus, batalhas de rima e outros movimentos que dão voz ao jovem. Você tem algum projeto em cultura também?

Rafael: Tábata, como última pergunta, gostaria de saber o que você achou sobre a solução que nossos políticos encontraram para a economia do país, o Teto de Gastos.  Pode comentar rapidamente?

Fiquem atentos, ainda teremos mais algumas entrevistas sobre as eleições 2018.

***Desculpem o áudio ruim do começo. O microfone apresentou problemas e por conta da agenda dela, não conseguimos marcar em local com boa acústica****

Eleições 2018 – Deputados e Senadores são mesmo importantes?

Este será o primeiro poste de uma série ilustrando a importância dos nossos representantes.

Esse é o ano mais importante em termos de eleições. Vamos escolher quem vai fazer nossas leis, e quem vai executá-las em vários níveis federativos.

Teremos eleições de: Deputado Estadual ou do Distrito Federal, Deputado Federal, dois Senadores, Governador e Presidente.

Temos 1059 Deputados Estaduais, 513 Deputados Federais, 81 Senadores, 1 Governador e 1 Presidente. Isso dá um total de 1655 novos representantes, contando no Brasil todo.

Muitas pessoas para cargos importantíssimos. Mesmo que você não goste de política, tudo que eles vão fazer ou deixar de fazer vai influenciar na sua vida.

Vou te mostrar o porque essas pessoas são importantes.

Deputados e Senadores: são o cérebro do país.

Vamos ver o que o cérebro do país está pensando no Congresso Nacional:


É, parece que eles são um bloco bem unificado de fato. Aliás, creio que a ilustração está com um erro.

Claro, nem todos são assim. Alguns pensam no povo também e devemos reeleger estes, então a pesquisa do seu candidato é essencial.

Os Deputados e Senadores também fazem as leis, fiscalizam o Presidente e fiscalizam outros órgãos (sendo este papel menos observado).

Porque eles são o cérebro?

Eles vão trilhar os caminhos que todas as pessoas vão ter que seguir. Na realidade, não só pessoas, as empresas também, bem como as instituições sem fins lucrativos e qualquer outra coisa que você possa pensar. Eles têm o poder para colocar leis em tudo, seja ajudando ou atrapalhando.

O peso da caneta deles é muito grande, então eles precisam ter uma visão clara e um projeto de crescimento do país em mente.

Nossos representantes selecionados em 2014 foram muito ruins. Não apenas o PT ou o PSDB foram ruins, foi generalizado. Eles não sabiam pra onde ir. Fazer as leis certas para projetos de retomada do crescimento é de grande importância e em um momento de crise é essencial, aumentar seu próprio salário, não.

Por isso não podemos mais colocar representantes que pensem, basicamente, assim:


Eles também tem o papel de melhorar a fiscalização nas contas e buscar maneiras dos órgãos que fiscalizam serem mais efetivos. Vamos pegar os Tribunais de Contas por exemplo:

Esses tribunais julgam as contas normativamente de vários entes e órgãos, ou seja, eles só olham se o que foi gasto está dentro dos processos legais, mas não verificam a efetividade do gasto, que significa observar se foi bem feito ou não. Cabe ao poder Legislativo, Deputados e Senadores, fazer leis ou pressioná-los sobre este problema. Por exemplo, sugerir métricas de análises de contas mais rápidas, verificar se os gastos dos próprios Tribunais de Contas estão sendo absurdos e no limite, intervir com leis para controlá-los, pois eles controlam estes controladores.

Respondendo a pergunta do título, sim, Deputados e Senadores são muito importantes. Escolha bem.

Quem é o novo Prefeito de São Paulo – Bruno Covas, herdeiro de um nome e político de nascença.

Histórico:

Neto de Mário Covas;

Graduado em direito na USP, economia na PUC e mestrado na FGV;

Deputado Estadual;

Deputado Federal;

Secretário do meio ambiente;

Vice-prefeito de São Paulo e

Prefeito de São Paulo.

Créditos da image: UOL

Se você não o conhecia, calma. Ninguém presta atenção em vices – como sabemos, deveríamos perder essa mania -. Aqui é o local ideal para você ter uma noção de quem é nosso prefeito (e que governa o município de São Paulo desde o dia 7 de abril).

Bruno teve uma carreira política tradicional, influenciado desde pequeno por seu avô, Mário Covas. Com esta influência ele diz ser um pouco diferente do Dória. Não se considera liberal, e sim social democrata.

Não tem grandes registros de corrupção, além do caso em que um de seus apoiadores, Mário Welber, foi pego com 16 cheques assinados mas com valores em branco e mais de 100 mil reais. As investigações não foram muito além.

Não teve muitos discursos durante seus quase 10 anos como Deputado Estadual e Deputado Federal. Caso você esteja curioso em saber como o prefeito votou como deputado durante todos esses anos, clique aqui. O link possui todo seu histórico de votação.

Falando brevemente sobre suas votações, ele votou ‘sim’ para projetos como regulamentar o trabalho terceirizado e as relações de emprego entre trabalho e empresas, o teto de gastos com políticas públicas dos poderes três poderes por 20 anos, tributação de serviços da internet e etc.

Sobre as votações que votou ‘não’, entre várias, estão as de não mudar a identificação dos alimentos transgênicos, fim da reeleição, endurecimento do seguro desemprego e etc.

(Acesse os sites http://www.votenaweb.com.brhttp://qmrepresenta.com.br/#deputados ou até mesmo o site da Câmara Legislativa para saber mais).

Bruno tem como ideias realizar o reajuste previdenciário dos servidores públicos do município de São Paulo – que nos custa quase 6 bilhões de reais -, de acordo com entrevista na UOL, ele informou que os investimentos públicos em zeladoria urbana estavam caindo e o gasto com a previdência é um dos motivos. Ele não deseja aumentar os impostos, ótima notícia.

Para o prefeito, os principais problemas da cidade são três: Saúde, educação e mobilidade.

Se olharmos seu depoimento para a melhoria destes três problemas focos – aumentar a nota do IDEB, possível volta do corujão e realizar a licitação para o transporte público – são todas soluções superficiais.

Claro que, se tratando de educação queremos melhor desempenho do IDEB, mas como conseguir isso? Aumentar o salário dos professores? Fazer com que diretores executem campanhas para motivar os professores?

Sobre a saúde, vemos que no depoimento dado para a UOL, para ele, melhorar a saúde significa acabar com filas, o que está equivocado. Acabar com filas não melhora o diagnóstico dos pacientes, trás mais remédios ou reduz gastos exagerados.

Sobre o transporte, a resposta é simples, uma licitação e a mudança da entrega de ônibus para São Paulo não resolve nosso problema de mobilidade.

Vejo que o prefeito precisa ver essas questões mais a fundo caso ele queira trazer alguma real solução para nossos problemas.

***

Vejo que Bruno Covas, com seus 38 anos, pode ser um prefeito melhor do que João Dória. São Paulo não precisava de um dono de empresa marketeiro e sim de alguém que soubesse minimamente dos problemas da cidade. Apesar das respostas que considero rasas dadas na referida reportagem, Bruno tem uma visão além do que apenas zeladoria da cidade e acabar com a cracolândia. Sua preocupação com o reajuste da previdência municipal mostra isso.

Ele vai ter a chance de continuar com a boa fama de seu avô. Esperamos  que, apesar de sua grande admiração por seu antepassado, ele nos traga soluções para o século XXI.

 

Créditos da Imagem destacada: Poder360.com.br.

Projeto Cidade Linda – O que restou?

doria

O Projeto Cidade linda do ex-prefeito João Dória foi feito para deixar a cidade linda, mas para quem?

*Por Rafael de Almeida Silva – Shz.

Saindo do centro expandido de São Paulo, o projeto já perde força. Poucos esforços são feitos para que as periferias vejam resultados.

A Folha de São Paulo publicou um artigo em que citava a execução do projeto como “ações pontuais”. Este programa aparenta-se com o “mostrar serviço”, igual quando o patrão está olhando – o funcionário começa a trabalhar e logo em seguida, o funcionário volta às ações supérfluas do dia a dia -.

As ações do projeto Cidade Linda não chegam na população que mais precisa de auto-estima e recuperação da confiança na cidade que são as pessoas de classe média baixa e periféricas, que pouco veem a efetividade dos serviços públicos oferecidos e necessitam e isso ajuda a aumentar a descrença na política. Dória teve a chance de atuar nestes bairros com projetos de renovação e zeladoria sérios, mas não o fez.

O que restou do projeto?

Limpezas incompletas, volta da sujeira, sensação de ‘passada de pano’ e para muitos lugares, apenas a não presença deste projeto. Claro, também tiveram os cronogramas mal publicados, e falta de transparência com detalhes de orçamento, verba e recursos.

O próprio G1 mostrou que o projeto de zeladoria do Doria é, como apontamos acima, sentido pela população como uma medida ineficaz de limpeza. A ação não foi bem estruturada e a comunidade não respondeu. Não houve a grande aderência da população em mantê-lo, o que também é um problema brasileiro.

Hoje pouco se vê as ações. Houve muita mídia mas infelizmente pouco engajamento.

***

Será que o novo prefeito, Bruno Covas, substituto do Dória, irá continuar com o projeto desta maneira?

Não sabemos as intenções do novo prefeito de São Paulo – na realidade, não conhecemos muito além do seu sobrenome -, mas ele tem pela frente a chance de fazer a de fato a cidade limpa, caso se comprometa em alocar de maneira certa, os recursos e a gestão para a limpeza.

Novamente convido todos e todas à fazerem pressão e se manifestarem para as forças públicas por meio de compartilhamento das informações e disseminação das mesmas para que as ações parem de ser apenas jogadas de marketing.

Fontes: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/regionais/noticias/?page=7&q=cidade%20linda%20projeto

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/07/1897942-programa-cidade-linda-de-doria-apresenta-falhas-apos-seis-meses.shtml