Carta divulgada por Bolsonaro na Íntegra – Maio de 2019.

Hoje tivemos ciência de que Bolsonaro compartilhou em seus grupos de whatsapp uma carta de autor desconhecido apontando a ingovernabilidade do Brasil graças às grandes corporações.

Ao fazer isso, Bolsonaro reconhece que em quase 30 anos de vida pública, pouco aprendeu sobre a gerencia do país além de jogar toda a culpa no mercado se isentando do jogo político. Por obvio que suas medidas iriam fracassar por alguns motivos : Ele não tem um projeto de país consolidado, sua base do PSL não tem uma ideologia de desenvolvimento nacional e ele possui uma retórica explosiva, incapaz de dialogar propriamente com os deputados e senadores.

abaixo, texto publicado pelo Estadão em primeira mão:

Temos muito para agradecer a Bolsonaro.

Bastaram 5 meses de um governo atípico, “sem jeito” com o congresso e de comunicação amadora para nos mostrar que o Brasil nunca foi, e talvez nunca será, governado de acordo com o interesse dos eleitores. Sejam eles de esquerda ou de direita.

Desde a tal compra de votos para a reeleição, os conchavos para a privatização, o mensalão, o petrolão e o tal “presidencialismo de coalizão”, o Brasil é governado exclusivamente para atender aos interesses de corporações com acesso privilegiado ao orçamento público.

Não só políticos, mas servidores-sindicalistas, sindicalistas de toga e grupos empresariais bem posicionados nas teias de poder. Os verdadeiros donos do orçamento. As lagostas do STF e os espumantes com quatro prêmios internacionais são só a face gourmet do nosso absolutismo orçamentário.

Todos nós sabíamos disso, mas queríamos acreditar que era só um efeito de determinado governo corrupto ou cooptado. Na próxima eleição, tudo poderia mudar. Infelizmente não era isso, não era pontual. Bolsonaro provou que o Brasil, fora desses conchavos, é ingovernável.

Descobrimos que não existe nenhum compromisso de campanha que pode ser cumprido sem que as corporações deem suas bênçãos. Sempre a contragosto.

Nem uma simples redução do número de ministérios pode ser feita. Corremos o risco de uma MP caducar e o Brasil ser OBRIGADO a ter 29 ministérios e voltar para a estrutura do Temer.

Isso é do interesse de quem? Qual é o propósito de o congresso ter que aprovar a estrutura do executivo, que é exclusivamente do interesse operacional deste último, além de ser promessa de campanha?

Querem, na verdade, é manter nichos de controle sobre o orçamento para indicar os ministros que vão permitir sangrar estes recursos para objetivos não republicanos. Historinha com mais de 500 anos por aqui.

Que poder, de fato, tem o presidente do Brasil? Até o momento, como todas as suas ações foram ou serão questionadas no congresso e na justiça, apostaria que o presidente não serve para NADA, exceto para organizar o governo no interesse das corporações. Fora isso, não governa.

Se não negocia com o congresso, é amador e não sabe fazer política. Se negocia, sucumbiu à velha política. O que resta, se 100% dos caminhos estão errados na visão dos “ana(lfabe)listas políticos”?

A continuar tudo como está, as corporações vão comandar o governo Bolsonaro na marra e aprovar o mínimo para que o Brasil não quebre, apenas para continuarem mantendo seus privilégios.

O moribundo-Brasil será mantido vivo por aparelhos para que os privilegiados continuem mamando. É fato inegável. Está assim há 519 anos, morto, mas procriando. Foi assim, provavelmente continuará assim.

Antes de Bolsonaro vivíamos em um cativeiro, sequestrados pelas corporações, mas tínhamos a falsa impressão de que nossos representantes eleitos tinham efetivo poder de apresentar suas agendas.

Era falso, FHC foi reeleito prometendo segurar o dólar e soltou-o 2 meses depois, Lula foi eleito criticando a política de FHC e nomeou um presidente do Bank Boston, fez reforma da previdência e aumentou os juros, Dilma foi eleita criticando o neoliberalismo e indicou Joaquim Levy. Tudo para manter o cadáver procriando por múltiplos de 4 anos.

Agora, como a agenda de Bolsonaro não é do interesse de praticamente NENHUMA corporação (pelo jeito nem dos militares), o sequestro fica mais evidente e o cárcere começa a se mostrar sufocante.

Na hipótese mais provável, o governo será desidratado até morrer de inanição, com vitória para as corporações. Que sempre venceram. Daremos adeus Moro, Mansueto e Guedes. Estão atrapalhando as corporações, não terão lugar por muito tempo.

Na pior hipótese ficamos ingovernáveis e os agentes econômicos, internos e externos, desistem do Brasil. Teremos um orçamento destruído, aumentando o desemprego, a inflação e com calotes generalizados. Perfeitamente plausível. Claramente possível.

A hipótese nuclear é uma ruptura institucional irreversível, com desfecho imprevisível. É o Brasil sendo zerado, sem direito para ninguém e sem dinheiro para nada. Não se sabe como será reconstruído. Não é impossível, basta olhar para a Argentina e para a Venezuela. A economia destes países não é funcional. Podemos chegar lá, está longe de ser impossível.

Agradeçamos a Bolsonaro, pois em menos de 5 meses provou de forma inequívoca que o Brasil só é governável se atender o interesse das corporações. Nunca será governável para atender ao interesse dos eleitores. Quaisquer eleitores. Tenho certeza que esquerdistas não votaram em Dilma para Joaquim Levy ser indicado ministro. Foi o que aconteceu, pois precisavam manter o cadáver Brasil procriando. Sem controle do orçamento, as corporações morrem.

O Brasil está disfuncional. Como nunca antes. Bolsonaro não é culpado pela disfuncionalidade, pois não destruiu nada, aliás, até agora não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou. Ele é só um óculos com grau certo, para vermos que o rei sempre esteve nu, e é horroroso.

Infelizmente o diagnóstico racional é claro: “Sell”.

Autor desconhecido

Depois dessa carta, será que Bolsonaro renuncia ou cai? Será essa carta uma cortina de fumaça para desviar a atenção da investigação do Flávio? Na conjuntura atual, só temos uma certeza, o futuro do Brasil está mais incerto do que nunca.

A Educação Derruba Mitos – Manifestações do dia 15 de maio contra o corte da Educação

Para quem está se antenado agora, o governo de Jair Bolsonaro anunciou que irá cortar 30% da verba dos institutos federais, acusando-os de balbúrdia¹. Para tentar contornar a medida, o Ministro da Educação Abraham Weintraub, afirmou que o gasto seria revertido para a educação básica, entretanto, na realidade os gastos com educação básica também tiveram cortes.

O governo Bolsonaro mexeu com um dos poucos consensos entre a esquerda e a direita: O investimento em educação.

A reação por parte da sociedade foi tão grande que diversos setores entraram na briga contra este corte. Manifestações no país todo explodiram neste 15 de maio.

O corte imoral e ideológico das verbas para as universidades federais é um ataque direto a todos os avanços que a população conquistou no fortalecimento do nosso ensino superior. As Universidades Federais são vistas por diversos estudiosos como uma política pública de sucesso, mas Bolsonaro não as admite pois acredita que são um centro de “formação marxista” e não produzem nada. Mas sabemos que o presidente mente nesta informação, já que, 95%² da produção científica do Brasil vem delas.

Na realidade, Bolsonaro quer enfraquecer as universidades federais pois parte significativa de seus alunos são de um grande grupo de oposição ao seu governo. Ele quer enfraquecer a oposição a qualquer custo, mesmo que o resultado seja menos pessoas nas universidades e menos brasileiros com educação de qualidade.

Indo totalmente na contramão do que foi feito por países desenvolvidos, este corte significará uma perda geral de qualidade de nossos centros de produção de conhecimento. Não existe um único país no mundo que se desenvolveu com base no investimento massivo em educação. A população reconhece que esta é uma pauta crítica e quem mexe com neste vespeiro, sai picado.

As manifestações populares vieram de várias partes do Brasil, desde o norte ao sul, cortando grandes centros como São Paulo, Florianópolis, Vitória, Goiânia, Macapá, Fortaleza e etc. Ao todo, foram mais de um milhão de pessoas nas rua em todo o Brasil.

As pessoas saíram nas ruas para dizer não aos cortes da educação e mostrar que o conhecimento e a ciência podem derrubar mitos.

Queremos ler Marx: apresentação do núcleo de estudos

Por Carlos Henrique Ferreira de Souza*

O Núcleo de Estudos Imersivos Marx (NEIMARX) é uma iniciativa minha em conjunto com outros amigos e amigas. A sigla NEIMARX foi escolhida antes do nome mesmo. A ideia do Núcleo é ser algo divertido, flexível, onde pessoas possam discutir e ler Marx sem as amarras das obrigações acadêmicas. Portanto, a sigla com cara de meme representa essa fuga, esse drible nas leituras obrigatórias que comumente estamos submetidos. Mas, em contrapartida, não significa que não levemos as leituras e discussões a sério. O que modifica é a horizontalidade representada por pessoas que se colocam na mesma posição de poder. Isso proporciona uma liberdade muito rica de se poder expressar as mais diversas formas de ser ler e interpretar um texto de Marx. Assim, admitimos no grupo pessoas que se interessam em ler Marx. Essa é a única condição. Não nos importa se alguém já está em alguma faculdade ou não.

O objetivo final do grupo não é esgotar a obra marxiana. É ler o livro 1 d’O Capital. Evidentemente, não é um desafio nada fácil, visto que não temos nenhum tutor especializado em Marx no grupo. O que nos guia são especialmente os “Textos Introdutórios” que se encontram na 2º edição de “O Capital: crítica da economia política: livro 1: o processo do capital”, da Boitempo. São três textos: “Apresentação” de Jacob Gorender; “Advertência ao leitores do Livro 1 d’O Capital de Althusser; e, por último, “Considerações sobre o método” de Giannotti. Outro texto que nos norteia, que é na verdade um livro, é de autoria de Florestan Fernandes chamado “Marx, Engels, Lenin: a história em processo”, da Expressão Popular.

A leitura prévia desses textos introdutórios me permitiu pensar em um programa de leituras que nos possibilitasse ler O Capital da melhor maneira possível dentro das nossas limitações. Os textos nos indicaram que uma alternativa possível de programa poderia ser: “Manuscritos filosófico-econômicos”; “A Sagrada Família”; “A miséria da filosofia”; “A ideologia alemã”; “Contribuição à crítica da economia política”; “O Capital”. Entretanto, considerando as limitações de disponibilidade de tempo que temos essa sequência de textos seria inviável. Dessa maneira, os dois últimos textos antes d’O Capital foram retirados do programa – apenas uma parte da “Contribuição…” continua -, permanecendo todo o restante. Mas o programa é completamente flexível e ainda está em constante discussão.

Os encontros do Núcleo têm acontecido normalmente de 15 em 15 dias na EACH-USP, mas já ocorreram em diversos locais para acomodarmos pessoas que não estudavam na EACH. Também há certa flexibilidade quanto à isso; ou seja, temos tentado ao máximo escolher local e horário que seja possível para a maioria das pessoas.

A cada final de leitura de um livro publicaremos aqui no blog do nosso companheiro Rafael Shouz alguns textos com nossa interpretação acerca de temas tratados na obra. Esperamos, assim, entregar ao público alguma contribuição para aqueles que têm interesse sobre a vasta obra de Marx, além de pretendermos incentivar a criação e multiplicação de outros grupos e núcleos de estudos.

A essa altura já encerramos as leituras e discussões sobre os “Manuscritos…” e escreveremos três breves artigos sobre a obra: i) Giovanna Lourenção vai discutir sobre o conceito de trabalho estranhado presente; ii) Gabriel Santana, por sua vez, discutirá como se dá o debate de Marx com os economistas clássicos acerca das relações capital/trabalho; iii) e eu encerro apresentando como o jovem Marx trata a questão do comunismo dentro dos “Manuscritos…”. Espero que seja de alguma utilidade aos leitores do blog. Até breve.

*Graduando em Gestão de Políticas Públicas ( EACH/USP)

A Ditadura e a juventude brasileira da nova geração

Hoje eu tava voltando pra casas com um amigo meu conversando sobre política e ele me indagou algo tipo assim: “Porra mano, claro o a esquerda tá se fodendo mas é porque, além de tudo, a gente não tem quadros políticos novos! Esses antigos tipo o Suplicy (porra quem não ama o Suplicy) já deu pro povo…”


Pensando sobre isso sempre analiso alguns fatos, por exemplo: Porra, onde foi que a gente errou? Nosso discurso é sempre contra grandes empresas e pelo povo, pela cultura e etc… Os militantes de esquerda ou ficaram fracos ou estão desconexos da realidade…

Chegando em casa, encontrei com uns amigos na rua, e ficamos conversando…. Conversando, um deles falou: “Caraí, olha como a polícia tá matando, não são nem 4 meses de governo e eles já mataram quase o número de pessoas do ano passado!”

Cheguei em casa, sentei para beber uma água e voltei a pensar no que meu amigo havia me dito primeiramente…. Cadê a nossa boa renovação? Por que não aconteceu em massa?!


Aí eu lembrei de uma coisa: Ditadura Militar.

Porra, a ditadura perseguiu APENAS militantes de esquerda e deixou a direita livre para florescer politicamente. Gente, NUNCA houve doutrinação nas escolas, na realidade, os professores que eram os caçados. A USP foi invadida diversas vezes, bem como outras universidades. Lideres estudantis como o Alexandre Vannucchi, a pessoa que o DCE da USP leva como, nome foi MORTO. Foi preso, torturado e morto, simplesmente assim.


E os casos não repercutiam. Imagine o caso da Marielle na ditadura? (Mais um caso isolado sem noticias sobre).


Alexandre teria que ter hoje, 69 anos, idade para ser um Senador da República. 1950† -2019✩
Marielle, quem sabe o que se tornaria? Já causava medo nos detentores do poder. 1979† – 2018✩ , 39 anos.


A direita que sempre perseguiu a esquerda. Vendo isso, percebemos que os 434 militantes, encontrados mortos pela ditadura, no mínimo fazem falta. Se 5% dessas pessoas que morreram se tornassem Governadores um dia teríamos 21 governadores. (Ah, e propósito, essas foram as confirmadas, as que desapareceram sem deixar rastros passa de 3 mil)


Vejo que a resposta do porquê não temos uma renovação de QUADROS políticos de esquerda pode ter alguma relação com isso.

Segundo dia da Bienal da UNE.

A primeira mesa da Bienal da União Nacional dos Estudantes começou com vários diálogos sobre economia, meio ambiente, rentismo, divisão de terras e alguns outros temas levantados.

Participaram Sonia Guajajara, Nilson Araujo, João Paulo, Luciana Santos, Ivan Alex e Ciro Gomes.

A fala de destaque, que provocou gritos contrários, favoráveis e tensionamentos foi a de Ciro Gomes.

Ciro começou levantando a questão estratégica da esquerda sobre como poderíamos nos juntar para combater pautas retrógradas caso  lançadas. Ciro foi interrompido por um grito (de uma pessoa que não se mostrou) chamando-lhe de fascista. O discurso começou a tensionar, com outras provocações até que Ciro pediu para que parte da plenária parasse de viajar e respondeu para eles que “o Lula tá preso, babaca!”

Após isso, o debate tencionou. Apesar do Ciro falar que é amigo de Lula a mais de 30 anos, foi ministro de seu governo e não concorda com sua prisão, boa parte da plenária, não entendeu que Ciro está do mesmo lado que o seu e que o Lula não trará uma solução viável.

O momento de maior tensão, foi durante a fala dos estudantes, onde vários tentaram ‘lacrar’.

Um estudante, de cima do palco em sua fala, mencionou Ciro e ele foi pedir direito de resposta para o estudante. Este não quis passar o microfone e aconteceu um ‘cabo de guerra’ com o microfone, onde na hora, um segurança do evento tentou afastar os dois, e o estudante caiu do palco.

No mesmo momento de confusão, todos começaram a cantar ‘Machistas, racistas, não passarão!’. Por certo, a pessoa na fala tencionou com Ciro e a plateia inflada pelos gritos anteriores julgou erroneamente 100% da culpa da queda para ele. Pude ver o que aconteceu de perto pois estava na primeira fileira.

Apesar do Ciro não ter tido toda a culpa, ele de fato errou querendo o microfone na hora que o estudante estava terminando sua fala, entretanto, ele estava com o direito de resposta já que foi insultado e se sentiu ofendido.

Após isso, várias falas querendo apaziguar e botar mais álcool no fogo.

A plenária estava cheia, com mais de mil pessoas assistindo e gritando.

Rafael ‘Shouz’ de Almeida

A Quadrilha dos Bandeirantes

Demarcação das terras indígenas

O governo de Jair Bolsonaro anunciou no dia 2 de Janeiro quem ficará responsável pelas demarcações das terras indígenas e quilombolas, neste caso quem serão os responsáveis, pois foi preciso criar um conselho interministerial, o que aparentemente é bom por poder trazer a discussão e ser tomada uma melhor decisão com relação ao assunto, mas não no Brasil.

Este conselho é formado pela união dos quatro pilares do Governo de Bolsonaro. Pra quem não sabe ou não lembra aqui vai é o BBBM, Biblia, Boi, Bala, Militares. Isso realmente me assusta, a astúcia deles me surpreendeu desta vez, não acreditava que eles conseguiriam unificar de forma tão clara e fácil o interesse dos principais grupos de apoio.

Falando diretamente dos ministérios que compõem este conselho interministerial, que são eles : Agricultura, com a Ministra Tereza Cristina, empresária e líder da bancada ruralista ; Defesa, com o General reformado Fernando Azevedo e Silva; Meio Ambiente, Ricardo Salles condenado por improbidade administrativa; Direitos Humanos, a Damares Alves da bancada evangélica na qual sua ONG responde processo por tráfico de crianças indígenas ; e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), com o General Augusto Heleno, aquele que disse que os índios não precisam de tratamento diferenciado.

Dissertando sobre o posicionamento de cada um acredito que ficará claro o porque me assusta esse conselho. Vamos colocar em ordem segundo o próprio site do Governo Federal colocou em sua página, e assim o segui, para tratar de cada um dos ministérios responsáveis e seus respectivos ministros.

A Senhora Veneno

Ministra Tereza Cristina e o Ministério da Agricultura, líder da bancada ruralista, empresária, pertencente do DEM-MS, é também defensora da mudança de regras com relação ao uso de agrotóxicos através do Projeto de Lei 6.299, de 2002, do ex-Ministro da Agricultura Blairo Maggi, que segundo o MPF, Inca, Fiocruz através de relatórios técnicos se manifestaram contra a PL por apresentar riscos a saúde e ao meio ambiente. Além disso segundo mapeamento feito pelo IBGE com relação a população indígena está em número considerável na região Centro-Oeste e Norte. Vale lembrar também que durante o processo eleitoral, Tereza Cristina foi expressa apoiadora da candidatura de Jair Bolsonaro

links para as notas citadas acima e download do texto da PL 6.299

//g1.globo.com/natureza/noticia/projeto-de-lei-quer-mudar-legislacao-dos-agrotoxicos-no-brasil-entenda.ghtml

//portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-divulga-nota-tecnica-contra-projeto-que-flexibiliza-regulacao-de-agrotoxicosa-regulacao-de-agrotoxicos

O Braço de Ferro

Tratando do segundo componente, quase que instintivamente me remete a pergunta, o que ele faz ai? Bom, se procurarmos as principais atribuições de um Ministro da Defesa, neste caso o Ministro General Azevedo e Silva, conseguimos observar que não há muito o que fazer alguém com esta pasta que visa prioritariamente tratar de assuntos do âmbito militar e a segurança nacional. Porém, há de se colocar os Militares para participar, e se necessário defender os interesses do governo, então nada melhor que introduzi-los em todas as esferas governamentais possíveis, até porque 40% dos Ministros nomeados pelo atual presidente são ou foram militares.

O Caça Minério

Com relação ao Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles acredito que seja um dos pontos mais preocupantes com relação a esta quadrilha interministerial formada para o cuidado das demarcações de terras indígenas. Para o citado acima terei que fazer um destrinchamento mais longo passando por sua condenação por improbidade administrativa e seus posicionamentos frente a aceleração do licenciamento ambiental ambos ligados a favorecimento das empresas de mineração.

Na quarta feira 19 de dezembro de 2018 o Juiz da 3a Vara da Fazenda Pública de São Paulo condenou Ricardo Salles atual Ministro do Meio Ambiente por improbidade administrativa ( link abaixo ), após as denúncias feitas pelo MP. Segundo o MP Salles favoreceu empresas de mineração em São Paulo alterando mapas de areas sob proteção ambiental enquanto exercia o cargo de secretário estadual do meio ambiente.

Já com relação a aceleração do licenciamento ambiental, por mais que o mesmo diga que isso não significa “afrouxar as garantias para o meio ambiente”, como podemos acreditar nesta sustentação, principalmente quando dita por alguém que quando secretário do meio ambiente manipulou mapas para o favorecimento das mineradoras?

Em conversa com a imprensa no palácio do planalto (1) , ele fala sobre as poluições nos centros urbanos, e concordo que tenha que ser dada atenção ao assunto, mas ao mesmo tempo quando diz isso, ele tenta desviar o foco dos maiores problemas ambientais, que são aonde não há tanta publicidade e envolve a exploração mineral e madeireira.

//jus.com.br/artigos/58976/os-sujeitos-da-improbidade-administrativa

//www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8429.htm

O Bicho da Laranja

Vamos falar agora da Ministra talvez mais ideológica do governo que está com algumas das pastas mais importantes e também envolvida nesta questão das demarcações. A Ministra Damares conhecida pelas suas polêmicas frases onde mistura claramente conceitos religiosos com sua função pública, mostra também não conhecer a Constituição Federal e muito menos entender o momento histórico social atual. Mas a obscuridade vinda desta Ministra não para por ai. Segundo diversos veículos de informação (colocarei as fontes abaixo) a ONG ATINI fundada pela mesma, é acusada pelo MPF de tráfico de crianças indígenas e exploração sexual com um falso apelo de humanitarismo. Vocês estão entendendo a gravidade disto? A ONG da pessoa responsável por Direitos Humanos responde processos de acusação contra povos indígenas está também incluída no conselho de demarcação de terras dos mesmos.

//www.revistaforum.com.br/ong-de-futura-ministra-dos-direitos-humanos-e-acusada-de-trafico-de-criancas-indigenas/
//www1.folha.uol.com.br/poder/2018/12/ong-de-ministra-e-acusada-de-incitar-odio-a-indigenas-e-tirar-crianca-de-mae.shtml
//www.cartacapital.com.br/sociedade/damares-alves-e-fundadora-de-ong-acusada-de-trafico-de-criancas/

General Magneto

O último porém não menos importante componente que forma o conselho interministerial, A Quadrilha Bandeirante, é o General Heleno através do GSI, Gabinete de Segurança Institucional. Este que foi cotado a vice da chapa de Jair Bolsonaro e que ocupa um cargo que cuida do setor da inteligência do governo, tem um posicionamento claro diante da população indígena de que os índios não devem ser tratados de forma diferente, ou seja, impor aos índios os hábitos da sociedade urbana. Outro ponto é, este General foi comandante na Amazônia, auxiliou Bolsonaro em acordo com os Militares durante o processo eleitoral e mais, auxiliou na construção do plano de governo do mesmo.

//oglobo.globo.com/brasil/general-heleno-diz-que-indios-nao-precisam-de-tratamento-diferenciado-23341459

Este texto é sobre a preservação da vida, cultura e da natureza, denunciando o aparelhamento feito pelo governo para o genocídio que se anuncia. O tom da conversa mudou, um governo que fala que quer arrumar o Brasil, que é contra corrupção, que preza por bons costumes, família etc não pode montar um conselho interministerial, uma verdadeira quadrilha, envolvendo pessoas que claramente buscam interesses de seus grupos específicos, sejam eles remoção de tribos para o agronegócio, exploração mineral completamente desrespeitosa com o meio ambiente ou a matança da cultura indígena. Isto é a barbárie! Não podemos aceitar isso com a desculpa de que faz parte do progresso. Estamos indo na contra-mão dos países mais desenvolvidos. Devemos sim proteger a população indígena quilombola e suas respectivas culturas , devemos sim proteger os recursos naturais de nossas terras. Há evolução econômica e social sustentável.

Abaixo o mapa das maiores concentrações de minerais e povos indígenas . Curiosamente estão no mesmo lugar.

USP e os alunos de Escola Pública.

Estava vendo as notas de corte para o acesso de novos alunos para a Universidade de São Paulo, muitas vezes classificada como melhor universidade da América Latina, a maior e melhor do Brasil.


Quando falamos de uma prova para adentrar a uma das melhores faculdades que temos, pensamos naturalmente que a concorrência será alta. Mas porque será que os alunos de escola pública são a minoria nessa prova sendo 73,5% do total de alunos, a maioria dos estudantes brasileiros?

Fonte: Fuvest

A participação em percentil dos alunos de escola pública para a tentativa de realizar a Fuvest é, em alguns anos da série, menos que a matade em relação aos alunos de escola particular.

Acredito que os principal motivo são: Desconhecimento da universidade e seus benefícios e a descrença que podem passar. Eles não conhecem a USP, não sabem que é gratuita e ela pode te dar dinheiro por meio de bolsas para estudar. Não sabem que a faculdade é de todos, mas quem tenta entrar em sua maioria são alunos de escola particular, que sabem desde cedo a importância de uma boa faculdade (e não pagar por ela é um grande bônus). Os pais, desde cedo pagam escolas particulares para os filhos visando a entrada em alguma universidade pública.

A descrença em passar na prova é ampliada quando o candidato sabe que a qualidade de ensino de escola pública é menor do que a particular e que temos poucos exemplos. O número aprovado vindos de escola pública no vestibular é baixo e as pessoas tendem a se blindar de situações onde elas sabem que podem se decepcionar.

Fonte: Fuvest

Porquê o desinteresse, desconhecimento e talvez até falta de confiança? Sinceramente, não tenho a resposta para isso, mas tenho minha experiência de vida como aluno de escola pública na minha vida toda.

1-   Professores não comentam a existência da USP

Alguns professores, muitas vezes por não acreditarem nos alunos, nem chegam a comentar sobre a USP e seu possível ingresso nesta instituição.

2-   Falta de feiras de profissões nas escolas públicas

As feiras de profissões servem para falar um pouco sobre o futuro dos alunos e neste lugar, as faculdades, podem se expor. Em todo o meu ensino fundamental e médio,  não vi nenhuma universidade pública se mostrando para fazer propagandas de seus cursos. As universidades que frequentemente nos visitavam para fazer propagandas eram a Uninove, Unip e FMU. Acredito que tenha dado certo, vários de meus colegas passaram por essas faculdades.

3-   Desinteresse das classes A e B+ da disseminação dessa informação  

Este ponto se explica nele mesmo. Os ricos sabem que a faculdade existe e pretendem colocar seus filhos lá. Mais gente na concorrência torna o acesso  mais difícil então é interessante o mínimo de pessoas conhecerem.

Por isso também a raiva destes com cotas para escolas públicas e grupos que são minoritários, PPI.

4-   Informação não espalhada dentro da própria comunidade e da família.

O que desconhecemos não é passado adiante. Conheci a USP por acaso, fora do meu circulo social que cresci, ninguém da minha família ou amigos havia me falado sobre essa faculdade. Ninguém me falou sobre porquê ninguém sabia ou tinha poucas informações sobre.

Imagine uma família que não tem ninguém com graduação e que os chefes da casa tem até a 4ª série? Acredito que você tenha entendido meu ponto.

5-   Desacreditação social constante

A sociedade em geral desacredita na ascensão social e que as pessoas que não estudaram em boas escolas, vão conseguir adentrar a faculdade. Felizmente essa tendência está mudando com movimentos de empoderamento que fazem aumentar a auto-estima, acreditando nas pessoas e seu potencial, independente do local de partida.

Finalizo este texto com uma história pessoal de um dia após a Fuvest 2017.

Fui em um bar no centro, era noite da primeira fase da FUVEST 2017 mais precisamente.

Esse bar era perto da Paulista, o Bela Jaú. Lugar confortável, litrão e bebidas baratas. Calhou de meus amigos combinarem sem querer este dia para irmos lá.

Eu já tinha prestado a prova e sei como é que ficamos após: “prova difícil da porra!” “Acho que foi o ano mais difícil” “putz, nem vi essa matéria”.

Em toda roda que passei havia um comentário sobre a Fuvest e a USP. Pelo padrão das pessoas foi fácil de identificar: jovens de classe média e alta que prestaram a prova e estavam relaxando após.

Quem estava por lá e não sabia que existia a Fuvest, ficou sabendo.

Horas depois, voltei pra minha vila e lá, com o pessoal da mesma idade, o papo era totalmente diferente. Falava de moto, carro, rolês e outras coisas. Nós mal tocamos no assunto faculdade, quanto mais faculdade pública.

Lembrei que sempre foi assim, nós não trocamos esse tipo de ideia por desconhecimento e crescemos assim. Nossos pais não falam sobre, nossos professores também não e não vemos nenhuma propaganda. Temos acesso a outras coisas e outros tipos de conhecimento.

Por isso, sempre comemoro e incentivo quando algum amigo meu tem o desejo de entrar na USP. Sabemos que a concorrência é ampla e a trajetoria muito difícil, mas precisamos sempre espalhar a informação, incentivar e falar que é possível irmos contra a tendência do sistema.

Referências: 

//agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2017-12/ensino-basico-tem-735-dos-alunos-em-escolas-publicas-diz-ibge

Fuvest.br

A justiça, o Judiciário e seu descontrole.

O que é ser justo? Alguns vão argumentar que ser justo é tomar as decisões que agradará a moral da maioria, outros chamarão isso de populismo. Um segundo grupo pode argumentar que justiça é decidir as coisas de forma democrática, mas vão contra-argumentar que a justiça precisa se manter isenta da vontade coletiva. Um terceiro grupo pode trazer a visão de que a justiça é baseada no cumprimento da Lei, mas será que apenas isso é justiça? E se a Lei estiver equivocada e ser injusta?

A Justiça, sendo um conceito abstrato de um estado ideal para a aplicação das melhores decisões possíveis, pode não se dar tão bem no Brasil.

O poder Judiciário brasileiro não apresenta bons número a respeito de como ele distribui seu recurso, tendo em vista nossa crise econômica, e na velocidade da resolução de suas ações.

Seus gastos e aumentos de salários aumentam descumprindo o teto constitucional e ignorando a crise econômica que o país passa. Sua baixa eficiência na resolução de casos dá menos sensação de justiça -no sentido da aplicação das normas vigentes- para a população, diminuindo a confiabilidade que antes era alta de acordo com o Ranking de Confiabilidade do ICQ que mede a confiança da população nas instituições.

O Poder Judiciário gastou em 2017, 91 bilhões, em comparação com 2016, gastou 4,4% a mais. Os aumentos foram constantemente acima da inflação, fato que não poderia ocorrer  como proposto pela Emenda Constitucional 95 que dispõe sobre o Teto de Gastos.

Com apenas 18 mil juízes e 90% do seu orçamento gasto com despesa de pessoal, o ente represou 91% das ações que entram por ano apresentado em relatório de 2017. Na realidade, existem 22 mil vagas abertas mas não preenchidas para juízes, o motivo para o não preenchimento é simples, o gasto com pessoal vai passar o valor orçado para o órgão.

O gasto com pessoal é uma despesa muito difícil de diminuir e teoricamente cabe ao órgão que poderia controlar o Judiciário a dispor sobre, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O CNJ foi criado pela Emenda Constitucional 45/2004 com o intuito de fiscalizar e controlar a administração e finanças do órgão em questão, mas ele age a maioria das vezes para dar aval a despesas extras dos juízes, como por exemplo um dos penduricalhos mais caros para a nação, o auxílio moradia para juízes.

Os juízes podem receber até quase 5 mil reais de auxílio moradia, mesmo possuindo salários que vão até 33 mil reais. Este auxílio em 2018 de acordo com o R7 pode custar até 900 milhões de reais para os cofres públicos. Contra uma imoralidade deste tamanho, o órgão regulador deu o aval ao gasto, como mostro neste artigo anterior. Eles argumentam que o auxílio é constitucional e obedece as normas, mas não levam em consideração que várias mães e pais de família pagam aluguel e sustentam seus filhos com apenas um salário mínimo por mês, muitas vezes sem os mínimos benefícios como Vale Refeição, Vale Alimentação e gratificação natalina (13º salário).

Vemos que o órgão controlador do Judiciário não consegue o controlar, financeiramente, processualmente e administrativamente. Seus auxílios dados para juízes que recebem muito mais do que 99% dos brasileiros (só o valor do auxílio sobrepassa o salário de um enorme contingente populacional) são dados sem levar em consideração como eles poderiam alocar de forma mais eficiente a verba, podendo melhorar processos ou contratar mais juízes.

Trago a vocês algumas ações que todo o cidadão pode realizar para fazer pressão sobre os juízes: Mandem e-mail, liguem para os tribunais e questionem sobre os auxílios, pressionem seus Deputados e Vereadores a tomarem alguma atitude ou ao menos falar sobre o tema. Apenas a pressão popular pode influir para acabar com este gasto excessivo, já que, esta máquina estatal não serve a população, mas sim, se serve da população e de nossos impostos. Este ente e seu órgão controlador sentem que a população não está atenta em seus movimentos, mas podemos mostrar que estamos sim.

Aparentemente nosso Judiciário apresenta poucas virtudes para o chamarmos de justo.

Rafael de Almeida Silva

Graduando em Gestão de Políticas Públicas pela Universidade de São Paulo.

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Referências:

//www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm

//www.cnj.jus.br/noticias/cnj/85362-despesa-do-judiciario-cresce-mas-o-custo-por-habitante-cai-em-2016

//blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/judiciario-tem-estourado-sistematicamente-o-teto-de-gastos/

//congressoemfoco.uol.com.br/judiciario/poder-judiciario-e-o-unico-a-descumprir-regra-do-teto-de-gastos/

//www12.senado.leg.br/noticias/materias/2018/08/09/aumento-do-judiciario-deve-respeitar-o-teto-de-gastos-afirma-eunicio

//blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/judiciario-tem-estourado-sistematicamente-o-teto-de-gastos/

//www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/08/judiciario-e-o-unico-poder-a-nao-respeitar-limite-de-gastos.html

//g1.globo.com/politica/noticia/2018/11/07/senado-aprova-aumento-de-16-para-ministros-do-supremo-tribunal-federal.ghtml

//www.cnj.jus.br/files/conteudo/arquivo/2018/08/44b7368ec6f888b383f6c3de40c32167.pdf

//www1.folha.uol.com.br/poder/2018/08/gastos-do-judiciario-crescem-44-em-2017-atingindo-r-91-bi.shtml

Antipetismo não alcança Anhanguera e Perus no 1° turno

Por Carlos Henrique. F de Souza*

O antipetismo foi a tônica do debate nas eleições 2018, sobremaneira na reta final do primeiro turno. O sentimento de desamparo causado principalmente pela grave crise econômica que assola o país e a endêmica onda de corrupção exposta agora pela operação Lava Jato – que atingiu quase todos os partidos, mas principalmente o Partido dos Trabalhadores pela grande exposição midiática – fez emergir um sentimento muito forte de negação a tudo que se refere ao PT.

Todavia, do outro lado da polarização, o candidato alternativo, com um programa completamente anti pobre – como assinalou o respeitado economista francês Thomas Piketty -, guiado por discursos vazios e palavras de efeito que são de fácil aceitação – justamente por serem vazias e não tratarem de problemas sistêmicos – contribuiu para que vários segmentos da população rejeitassem até mesmo o antipetismo e aderissem, por conseguinte, ao programa do PT. É de um desses segmentos que trato aqui nesse breve artigo.

A zona eleitoral 389 do Estado de São Paulo é composta por seções eleitorais que se localizam em 31 bairros distintos. Contudo, a maior parte se encontra nos distritos Anhanguera e Perus. Uma análise detalhada da votação no primeiro turno nesta zona eleitoral dá ensejo para que se possa inferir que o sentimento antipetista quase inexistiu em Anhanguera e Perus.

A tabela 1 evidencia que embora o candidato Bolsonaro tenha saído vitorioso, a diferença  para o candidato Haddad é muito menor quando se compara com os dados nacionais (46% para Bolsonaro e 29% para Fernando Haddad). Somados os votos dos dois progressistas – Ciro e Haddad – eles passariam tranquilamente o candidato do PSL.

Tabela 1. Votação para presidente – Zona eleitoral 389

Fonte: TSE

A tabela 2 é mais alentadora ainda para o Partido dos Trabalhadores. Na votação para todo o estado de São Paulo, João Doria saiu vencedor com 31% dos votos e Márcio França ficou em segundo com 22% dos votos válidos (os dois estão no segundo turno). Não obstante, na zona eleitoral analisada Marinho (PT) acabou saindo vencedor. O candidato do PSDB amargou a quarta colocação.

Tabela 2. Votação para Governador – Zona eleitoral 389

Fonte: TSE

Na tabela 3 a expressão do não-antipetismo é mais óbvia ainda. O candidato a senador Suplicy, acabou não se elegendo, ficando com a terceira posição. Contudo, aqui ele obteve uma enorme quantidade de votos. Quase 10 mil a mais que o candidato do PSL, Major Olímpico.

Tabela 3. Votação para Senadores – Zona Eleitoral 389

Fonte: TSE

O não-antipetismo é expresso também na votação para deputado federal. Observando a tabela 4 é possível concluir que o PT teve grande êxito na candidatura do agora reeleito deputado federal, Zarattini. Além de ter sido o segundo mais votado, quase empatado com Eduardo Bolsonaro, ele foi um dos poucos que tentaram se reeleger e obtiveram uma variação positiva quando se compara as eleições de 2014 e 2018 – dado demonstrado pela tabela 5. Vale salientar também as robustas e signficativas candidaturas de Sâmia Bomfim e Luiza Erundina – ambas pelo PSOL –  que compõem o top 10. O PSL conseguiu duas expressivas candidaturas respresentadas por Eduardo Bolsonaro e Joice Hasselmann.  

Tabela 4. 10 Deputados Federais eleitos mais bem votados – Zona Eleitoral – 389

Fonte: TSE

É interessante observar, na tabela 5, a variação dos votos dos candidatos que integram o atual top 10 com as eleições gerais de 2014. A negação a “tudo isso que está aí” é bem evidente – embora ideologicamente a diferença seja insignificante. Apenas 3 deputados obtiveram variação positiva, sendo o do PT a maior variação para cima. Celso Russomanno perdeu quase 67% dos votos; Paulinho da Força, não obstante não aparecer no atual top 10, teve um resultado complemente inexpressivo nessa zona eleitoral.

Tabela 5. Variação dos votos dos Deputados Federais – 2014-2018

Fonte: TSE

Finalmente, apesar da imensa dificuldade que o PT tem enfrentado pelas periferias de São Paulo, os residentes de Anhanguera e Perus ainda têm em seu imaginário uma preferência muito clara pelo Partido dos Trabalhadores. Isso tem sido demonstrado há pelo menos desde as eleições de 2014 – que posteriormente também serão objeto de uma análise.

*Carlos Henrique F. de Souza é graduando em Gestão de Políticas Públicas pela EACH/USP e membro-fundador do Anhanguera: Luta e Resistência!

Manifestação Ele Não

Dia 29 de Setembro de 2018 aconteceu a manifestação #Elenão. Acompanhe um pouco como foi a manifestação:

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